terça-feira, 31 de maio de 2011

O renascer. O sétimo morgado. A geração do séc.XIX. O século difícil.

      Seria por direito o 7.º Morgado, Álvaro José de Morais Soares, filho do 6.º Morgado, António Xavier  Frias Morais Sarmento e de sua mulher Maria Francisca de Morais Pereira do Lago.
    Seus pais eram primos direitos e o casamento realizou-se bem perto de Vilartão, na Castanheira, a 26 Fevereiro de 1783, na capela de família de S. Francisco, Quinta de Mosteiro.
    Nasceu em Abril de 1784 e para esta criança, com o nome de baptismo Álvaro, futuro morgado, estavam reservadas na vida grandes feitos.
    Seguiu a carreira militar ao serviço do Regimento de Cavalaria 12 de Bragança.
    Em 1 de Maio de 1799 foi Cadete, com 15 anos de idade.
    Em 1 de Abril  de 1806  foi Porta-estandarte.
    Em 13 de Junho de 1808  foi Alferes.
    Em 1810 foi Tenente.



    Participou nas Guerras Peninsulares nas seguintes batalhas: 
    Puebla de Sanábria, em 10 de Agosto de 1810;
    Buçaco, em 27 de Setembro de 1810.
    Albuhera, em 16 Maio de 1811
    Casou com Catarina Josefa de Sousa Pavão, sua prima, em 27 Junho de 1811.  
    Voltou à guerra depois do casamento e participou nas seguintes batalhas:
    Cidade Rodrigo, em 19 de Janeiro de 1812;
    Fuentes de Honor,  em 5 de Março de 1812;
    Badajoz, em 6 de Abril de 1812;
   ( Em 7 de Abril de 1812 nasceu-lhe uma filha baptizada com o nome de Maria Angelina da Conceição)
    Salamanca,  em 27 Julho de 1812.
    Em 11 de Agosto de 1812 faleceu no combate de Las Rosas,em Megadahonda, perto de Madrid, com o posto de coronel. 
    Com 28 anos deixou viúva sua mulher e um problema para a sucessão do morgadio. Com pouco mais de um mês de idade morreu a sua filha, em 18 de Maio de 1812.
    Sucedeu na herança do morgadio seu irmão também militar, José António de Frias Morais Soares, mas vem a falecer em Dezembro do mesmo ano (1812).




      Recai por último no irmão destes, João Baptista Frias de Morais Soares a sucessão do morgadio, o sétimo morgado. Morgadios estes que irão ser extintos em 1863 por Mouzinho da Silveira.
      Será este o último morgado, e também o último governador do Castelo de Monforte, uma vez extinto o Concelho de Monforte.
      Teve um único filho, António José de Morais Soares, que foi Comendador da Ordem de Nossa Senhora de Vila Viçosa*. 



    
      O seu irmão, Major Joaquim Eusébio de Frias Morais Soares, é citado na Batalha de Almoster em 1834. Em 1837 aparece a assinar uma acta, na Câmara Chaves, repondo a Constituição de 1822. Assinaram também esta acta o Visconde de Sá da Bandeira e o Visconde das Antas.






     Um último irmão, António Telésforo de Morais Soares, também militar, irá ser este que dará descendência ao 
morgadio e que actualmente é proprietária do Solar e do extinto Morgadio**.


.
   
      A viúva do que deveria ser 7.º Morgado, D. Catarina Josefa de Sousa Pavão, casará 12 anos mais tarde com outro seu primo, João Manuel de Almeida Morais Pessanha, Senhor do Solar das Arcas, e descendente do célebre navegador Genovês.      
    
Solar das Arcas***
   
*A ordem foi instituída pelo rei D. João VI, em 6 de Fevereiro de 1818, dia da sua aclamação, no Rio de JaneiroBrasil. O objectivo do rei, Grão-Mestre da nova Ordem Militar Leiga, era homenagear a padroeira (designada por alvará de 1646), por Portugal ter sobrevivido, como país independente, às guerras napoleónicas que tinham assolado o país e a Europa. Até 1910 foram agraciados com esta ordem várias personalidades, essencialmente oriundas da nobreza e da aristocracia. O governo provisório, em Outubro de 1910, extinguiu-a como ordem militar, embora o rei D. Manuel II no exílio e os Duques de Bragança que lhe sucederam tenham continuado a utilizar as insígnias desta ordem, só recentemente o actual Duque de Bragança a reabilitou, como ordem dinástica honorífica da família real portuguesa, distinguindo várias personalidades que agracia com o grau de cavaleiros da ordem, na festa de 8 de Dezembro, em Vila Viçosa.   Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

  ** Actualmente na 12.ª Geração.

*** Retirado de:  www.solardasarcas.com/





    Bibliografia:
    Ferreira, Maria Aline, DR. Armando Morais Soares. O último João Semana, Coimbra, Gráfica de Coimbra 2, 2.º edição,2008.      
 

domingo, 15 de maio de 2011

O renascer. Arquitectura Portuguesa (apontamento)

     Não é fácil, encontrarmos hoje edifícios remotos sem terem  sofrido alterações ao longo dos tempos .
   Alterações talvez mais no interior do que no exterior do edifício.      Novos tempos novas vontades e os edifícios acabavam por ser mexidos para responder a novas necessidades.  
  Talvez externamente mais poupados a alterações, com mais aumentos,  mais acrescentos, conforme a riqueza da família e aumento do agregado.
  Contudo a nível de telhados as transformações  devem ter sido arrasadoras.
   No caso do  Solar  dos Morgados de Vilartão  apesar de o edifício ter resistido bastante bem interiormente e exteriormente, o telhado  foi  muito alterado.

   
   Teria a forma curiosa como o telhado do Solar da Quinta de Ribafria - São martinho. Sintra. Em forma de pirâmides, a forma mais ajustada para cobrir os tectos em masseira*.
   No caso do solar de Vilartão teria atendendo aos salões existentes
e à extensão da cobertura nove pirâmedes. Cobertas de telhas produzidas no próprio morgadio. Ainda hoje no local de produção (picões) existem restos dessas telhas. Olaria que remonta ao período romano.

* Retirado do  "blog": Visitar a Quinta de Ribafria - São martinho. Sintra.


   











sábado, 14 de maio de 2011

O renascer. O Dr. Armando Morais Soares


Armando Eusébio de Morais Soares

Fotografia de Armando Eusébio de Morais Soares, na capa de um livro sobre a sua vida.Nasceu em Vilartão, concelho de Valpaços, em 11 de Março de 1902. Instalado na "República Transmontana" em Coimbra, onde se licencia em Medicina em 1928. Em Coimbra, distinguiu-se pela muita solidariedade e ajuda aos que precisavam.
Filho de uma família abastada, regressa ao torrão natal encetando uma longa vida de apostolado filantropo e humanitário, exercendo a medicina gratuita, sem nunca ter cobrado um centavo aos seus pacientes, embora tivesse, muitas vezes, de se deslocar aos domicílios, primeiro a pé e a cavalo e depois de automóvel. Ia, de noite e de dia, correndo riscos, por uma vasta área, num raio de 30 quilómetros, até Sendim, Rebordelo (Vinhais), Aguieiras, Vilar de Ouro (Mirandela), Cimo de Vila da Castanheira (Chaves), Santa Valha e Sonim (Valpaços). Foi apelidado de "último Doutor João Semana", porque para além de servir gratuitamente ricos e pobres, ainda dava medicamentos aos mais necessitados.
A sua grande amizade, desde Coimbra, com Gonçalves Rapazote, leva-o a gozar de uma imunidade que lhe permitiu albergar, em sua casa, republicanos espanhóis que fugiam dos franquistas durante a Guerra Civil de Espanha, e de muitos comunistas portugueses, durante a ditadura de Oliveira Salazar, quando se sentiam acossados pela PIDE. Paradoxalmente, após o 25 de Abril de 1974, é o mesmo Gonçalves Rapazote, ex-Ministro do Interior, fugido aos "desmandos revolucionários", que lhe pede refúgio. Obviamente, um coração tão grande e tão generoso, não podia negar a protecção do seu maior amigo, que lhe aparece, sem passaporte e sem dinheiro. Conduziu-o à Fronteira de Travancas/Arsádicos.
Foi Presidente da Câmara Municipal de Valpaços e em 10 de Outubro de 1990, o Presidente deste município, Francisco Tavares, promoveu-lhe sentida e justa homenagem, entregando-lhe a Medalha de Prata Municipal.
Faleceu no dia 22 de Março de 1998.
Baseado neste artigo e neste
Consultados em 20 de Junho de 2010


Fonte: Extraído de Valpaços on line
Consultado em 18 de Junho de 2010

O renascer. O Castelo de Monforte de Rio Livre.

   O último governador do Castelo de Monforte de Rio Livre foi o último Morgado de Vilartão, João Baptista Frias de Morais Soares.
   Nasceu em 1791 e foi morador em Vilartão, termo de Monforte de Rio Livre. 
   Em 1834 era administrador do Castelo de Monforte vindo a  transferir a sede do concelho para Lebução, onde se manteve até à sua extinção em 31.12.1853.
   Foi o 7.º Senhor da Casa Grande (Solar dos Morgados de Vilartão).* 
   Faleceu em 1874 e foi sepultado na capela do morgadio. Fez o acento de óbito o Abade Abílio Buiça**, de Bouçõaes ( pároco da freguesia). 
   Teve um único filho, António José de Morais Soares, nascido em 1815, que foi Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.
   Em 6 de Novembro de 1853,com a extinção do Concelho de Monforte o castelo foi abandonado assim como a povoação.
   O Castelo de Monforte desde a Restauração esteve ligado à Familia Morais Soares, Morgados de Vilartão, como governadores.
   É do início do Séc.XVII, período filipino, a construção do Solar de Vilartão de linhas sóbrias, austeras, filipinas, suaves, mas bem de gosto  português. De arquitectura  marcadamente portuguesa, erudita e jesuítica, no nosso Portugal profundo, bem perto da fronteira com Espanha,conseguiu chegar aos nossos dias praticamente sem alterações à sua planta arquitectónica original. 
   Desconhecido e esquecido o velho  senhorial solar guarda ainda com orgulho em "en fillement" os seus vários salões. Representando em alternativa, na época filipina, a comodidade e a nobreza que um velho castelo medieval já não conseguia proporcionar aos seus alcaides.
   Actualmente na 11.º geração, a Casa Grande de Vilartão é propriedade duma sobrinha neta do Dr. Armando Morais Soares, Dona Ângela Rey Morais Soares Ferreira.
   Apresentam-se algumas imagens do velho castelo e do solar:






            Ao longe, do Castelo de Monforte, na linha do horizonte, avista-se a  famosa Esculca e nela no termo das terras de Monforte, Vilartão.





    Familiares de visita ao solar. Tia Fernanda Morais Soares Ferreira e sua filha Corina.
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    * Actualmente na 11.ª geração.
    ** Pai de Manuel dos Reis da Silva Buiça. O regicída.
    Bibliografia:
    Ferreira, Maria Aline, DR. Armando Morais Soares. O último João Semana, Coimbra, Gráfica de Coimbra 2, 2.º edição,2008.  

O renascer. O comedouro

    A sala de jantar tal como a conhecemos hoje não existia em solares ou casas nobres no séc. XVII. É uma divisão recente, criada no séc.XIX, nas casas burguesas. Contudo em algumas antigas casas senhoriais  existia um espaço, primórdio da sala de jantar, denominado o comedouro. Espaço criado entre as câmaras a um nível superior à cozinha para  servirem as refeições aos senhores. 
    A propósito refere-se na "Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira" : Comedouro,s.m.(...); lugar onde se come; refeitório: "E, através da biblioteca, penetramos na sala de jantar... -- Viva o meu príncipe! Sim senhor... Eis aqui um comedouro muito compreensível e muito repousante", Eça de Queiroz, A cidade e as Serras,cap 2, p.40.
    O Solar dos Morgados de Vilartão é um edifício do princípio do séc.XVII construído em parte sobre uma construção muito recuada, possivelmente da época romana. O edifício através dos séculos em pouco foi alterado mantendo-se fiel à sua planta original. 






   
 Eis algumas imagens do comedouro do Solar dos Morgados de Vilartão onde existe um armário em tom verde embutido na parede e um belíssimo lavatório em pedra. O soalho desta sala é ainda o de origem.


    Bibliografia
    Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol.VII, p.228, Lisboa, Editorial Enciclopédia, Limitada, 1987.

domingo, 8 de maio de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

O renascer. A Capela de Picões.


O extinto Morgadio de Vilartão possui duas capelas. 
Uma das capelas é do século XVII, mandada  construir por Álvaro Morais Soares em 1644. 
A segunda, a Capela de Picões, foi construída no princípio do séc.XVIII.
As imagens apresentadas são da segunda capela, mandada construir por António de Sá Pereira do Lago de Morais Soares, filho do Morgado de Vilartão, Pedro Aires Soares Machado,  Governador do Castelo de Monforte de Rio livre.
Capela de rara beleza tem se mantido quase  desconhecida numa paisagem paradisíaca.